Já com 22 anos em cima, o Merchant of Venus (Avalon Hill, 1988, Richard Hamblen) mostra a sua idade, não nas suas mecânicas e jogabilildade, mas sim no seu aspecto gráfico. Feito numa altura em que a cor nos jogos era um bem raro, nota-se ainda na arte gráfica produzida pelos desenhadores George Parrish, Jr., Charles Kibler e Regina De Simone, com um estilo de ficção cientifica retro aos comics e filmes da década de 50. Os marcadores de jogo são adaptações directas dos counters utilizados em wargames, e o mapa de um deslavado e feio azul. Tudo isto faz com que novos jogadores se recusem a jogá-lo, mesmo quando se lhes surge a oportunidade.

O jogo original ainda é relativamente fácil de encontrar na eBay e nas Mathtrades, ainda que que por um certo valor, e à vários anos que muitos jogadores têm feito as suas cópias para uso pessoal a partir dos scans de componentes que abundam na Net. Estando legalmente dentro daquele buraco chamado Hasbro para onde a compra da Avalon Hill o atirou, o MoV não deverá ver tão cedo uma nova edição. Em 2008 toda a gente no BGG foi surpreendida com o re-desenho de todo o jogo feito pelo utilizador Dathkadan. Graças a ele tem-se a oportunidade de construir e jogar um MoV com uma qualidade de componentes directamente proporcional ao que se quiser gastar. Desde simples counters em cartão, até discos em madeira com etiquetas foto-realisticas, passando por uma das mais impressionantes séries de notas para um jogo de tabuleiro alguma vez vistas, é agora possivel a cada um imprimir e passar a ser dono de um MoV actualizado para o século XXI. Independentemente de qual a opção escolhida, o resultado final acaba num jogo com uma limpeza de pele incomparável.

Juntamente com o novo desenho de todos os componentes e do mapa, o Dathkadan adicionou também todas as variantes que foram aparecendo na revista The General da Avalon Hill. De entre estas variantes destaco a Lost Planet Variant B e a Mining Colonies. A primeira adiciona uma 15ª cultura que não se encontra no mapa e à qual só se pode chegar se for descoberto o Wormhole que a liga ao mapa, algures num marcador “?”, podendo nem sequer estar em jogo. As Mining Colonies, adicionam um novo investimento de baixo valor com alto retorno, principalmente se forem adquiridas logo no inicio.

A acabar toda esta panóplia de efervescentes limpezas, o membro endou_kenji do BGG deu-se ao trabalho de refazer o manual do MoV de cima a baixo, e criar a colectânea de todas as regras de todas as variantes conhecidas. Estando disponivel para impressão caseira bem como através do Artscow, esta é uma das novidades mais bem vindas, uma vez que o livro de regras original obriga a uma atenção especial a interpretá-lo, o que por norma não é necessário nos actuais livros de regras, faltando-lhe exemplos e explicações que só são óbvias para o seu autor. Assim  com o novo livro de regras, ninguém poderá culpa-lo de não explicar a regra A ou B de forma clara como acontece às vezes com o original.

A todos quantos têm seguido esta série de três artigos só me falta agradecer-vos os comentários e desejar-vos bons negócios e que nos vejamos algures por ai a cruzar um qualquer sistema planetário.

PS: cruzou-me o browser à pouco tempo um novo redesign feito por uns russos que está com um óptimo aspecto. Podem ver mais aqui.

Este artigo foi publicado originalmente no TuJogas

Podes ler os artigos desta série:

Especiarias no Espaço I – Desenhando
Especiarias no Espaço II – Jogando
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