Aponta-se muitas vezes que o público em geral não gosta de jogos de tabuleiro porque não os conhece, porque não estão divulgados. Se em parte é verdade, por outro todos se esquecem que o hobby dos jogos de tabuleiro está para o público em geral como está a pesca, a caça ou o Paintball, mas a uma dimensão 100 vezes menor!
Passo a explicar dando o exemplo do Paintball. Existe muita gente que sabe o que é o Paintball, que o pratica esporadicamente ou já o experimentou pelo menos uma vez. Ora pensem lá das centenas de milhar que ao longo dos anos vieram a ter conhecimento do que é o Paintball quantos é que efectivamente se tornaram praticantes assiduos comprando equipamento, marcador, etc? 1%?
O que todos se esquecem é que os jogos de tabuleiro não são para todas as idades nem para todas as bolsas. É um hobby que acaba por se tornar caro por muito que se possa dizer que a utilização continua de um jogo o rentabiliza face a outras formas de entretenimento, estamos a falar de um valor que ronda os 40 Euros por um jogo, o que é acima do que a maioria das pessoas em Portugal gasta em almoço durante uma semana de trabalho. Mesmo quem é exposto aos boardgames nos grupos que habitualmente os promovem, ou nas convenções nacionais de jogos de tabuleiro, por muito espantado e embeiçado que fique a maioria, com sorte, vai adquirir um ou dois jogos que os vai jogar ad eternum, pois não se lhe justifica perante o agregado familiar o despender de quantias maiores. Para distracção já tem a TV, a politica, a Moody’s, o futebol, e já paga por elas todas mensalmente. Ao contrário de um DVD com um filme, o jogo que compra tem a vantagem de cada vez que o joga, repetir com pequenas variações a experiência anterior, daí ser uma compra excelente, e conforme já notaste aquilo que torna o bom jogo de tabuleiro numa forma excelente de entretenimento é ao mesmo tempo a razão pela qual as pessoas não saiem a comprar outro e outro e outro: rejogabilidade!! Os bons jogos de tabuleiro permitem ser jogados e jogados e jogados, sempre a explorar novas hipóteses, a descobrir novos desafios e a tentar dominar as suas nuances, e sem ter de aprender um novo conjunto de regras outra vez. Fica dentro daquela zona de conforto do que já se conhece, não sendo necessário aprender novas regras ou formas de pensar novas (sim o ser humano é por excelência preguiçoso).

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