Já lá vão 11 anos que este jogo apareceu pela primeira vez, tendo neste tempo alcançado uma posição de icon dos jogos alemães, designados de eurogames. Também à sua conta apareceu a designação de Meeple, com que se trata carinhosamente os pequenos tokens de lenha que a imaginação nos leva a ver como pessoas em miniatura (Miniature People -> Meeple).

Sendo um dos jogos mais conhecidos, o Carcassonne já passou para lá do jogo de nicho e já é possível mesmo em Portugal encontrá-lo nas prateleiras das grandes superfícies, desde o Continente ao Toys’R’Us. Com um quintilhão de expansões, umas melhores que as outras, encontrando-se pelo meio algumas que são risiveis (sim Catapulta, estou a falar directamente de ti!!), há muito jogador em Portugal que para lá do Monopólio e do Risco só conhece este jogo, sem saber que está a olhar para o topo do icebergue dos ditos jogos modernos. Considerado ainda um jogo familiar, é sem dúvida um daqueles a que é impossível fugir e com o qual podemos apresentar este mundo de jogos a quem não o conhece, ganhando assim um lugar de destaque como poucos têm, naquele que é considerado o nicho dos Gateway Games – jogos de entrada.

No seu jogo base o Carcassonne é a simplicidade em pessoa, com quatro páginas de regras em A5 cheias de ilustrações, e um daqueles jogos que se demora a mestrar apesar de se aprender em menos de 5 minutos. Uma das razões do seu grande sucesso é sem dúvida o piscar de olhos que faz ao mundo dos puzzles, com a construção de um mundo campestre medieval durante o jogo – afinal Carcassonne é uma simpática cidade francesa logo a norte dos Pirinéus que mantém ainda hoje muito do seu aspecto de outrora, e os campos sua à volta muitas vezes parece que ficam representados no jogo. É daqueles jogos que quando se conclui e se declarou o vencedor, se pára um instante que seja para olhar o que entre todos os jogadores se construiu, uma espécie de paisagem campestre medieval. Este instante quase fugaz cria um laço entre os jogadores, que um instante antes eram antagonistas que tentavam vencer simplesmente mais um jogo, e que os eleva acima de meros rivais e sim ao nível de criadores, sendo quase com pena que têm de destruir o que se acabou de construir no tampo da mesa e guardá-lo na caixa. É engraçado neste momento olhar para a cara dos jogadores e ver que praticamente todos têm aquela pontinha de pena por terem de guardar o jogo.

Se há um pequeno senão a apontar ao Carcassonne tem a ver exactamente com a sua longevidade. Com o tempo as regras têm sido refinadas e alteradas, principalmente nas pontuações, sendo que algumas voltaram a versões anteriores para depois serem outra vez alteradas para versões que já tinham sido abandonadas, e dependendo da edição que se esteja a jogar assim se estará com uma versão das regras diferentes, o que provocará que apesar das mecânicas serem sempre as mesmas e não terem mudados em 11 anos, as formas de pontuar foram-se alterando, não sendo rara a ocasião em que os jogadores descobrem durante o jogo que afinal o adversário está a contar a pontuação de uma forma diferente da sua, só porque está habituado a determinadas regras que não aquelas. Aconselho vivamente a que se adopte sempre as regras do jogo que se está a jogar a não ser que se tenha alguma FAQ ou conjunto de regras mais actualizado ali com o jogo. Evitar-se-á muita discussão, e os boardgames são para nos divertirmos.

Caixa do jogo

3

Apresentação

4

Componentes

3

Grafismo

4

Tema

4

Objectivo

4

Livro de Regras

3

Preparação

5

Começar a jogar

5

Mecânica

5

Jogabilidade

5

Interacção

3

Estratégia

3

Dificuldade

5

Duração

4

Diversão

4

Originalidade

4

Preço

5

Valor vs Dinheiro

5

O meu Gut Feeling

4

Total

82

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