Aproveitando a oportunidade de redesenhar o seu jogo RAF, o seu autor John H. Butterfield decidiu colocar no novo desenho 3 jogos dentro da mesma caixa, cada um com o seu livro de instruções e dois mapas. RAF: The Battle of Britain 1940, editado em 2009 pela Decision Games, contém um dos jogos mais esperados dos últimos anos, a possibilidade de ter uma versão para dois jogadores do RAF que colocasse um no controlo das forças Inglesas enquanto que o seu adversário tomava conta das forças Alemãs. E é isso mesmo que RAF: Lion vs Eagle faz. Utilizando uma mescla das regras existentes no RAF: Lion e no RAF: Eagle, este jogo atira pela janela todos os aspectos do jogo solitário e coloca os dois jogadores frente-a-frente a recriarem a Batalha de Inglaterra. Um bom charuto cubano e um conhaque serão tudo quanto o jogador britânico terá que adicionar para criar o ambiente perfeito.

Para o RAF: Lion vs Eagle utiliza-se o mesmo mapa (22″ x 34″ – 55,88cm x 86,36cm) do RAF: Lion, que coloca o jogador Inglês no Norte a olhar para Sul com a costa Sul de Inglaterra no topo do mapa, e o jogador Alemão fica colocado a olhar para Norte a partir da França ocupada. As mesmas tabelas e caixas para counters espalhadas à volta do mapa são utilizadas com excepção das caixas dos aeródromos Alemães. Estão marcadas no mapa as zonas de patrulha de cada grupo de caças, bem como a divisão entre os dois comandos da Força Aérea Alemã (Luftflotte 2 e 3), e o limite do raio de acção dos Me109s. Uma das principais caixas é o calendário onde se demarca o avançar dos dias, e o relógio que controla o avançar das horas ao longo de um dia de raides.

O jogador Alemão ganha um Tabuleiro de Planeamento que deve ser colocado fora da vista do jogador Inglês que contém as caixas dos Aeroportos e a zona de planeameno diário. No RAF: Eagle estas zonas estavam à vista no mapa respectivo, mas como uma das principais caracteristicas do jogo é a dedução que o jogador Inglês tem de fazer baseado nas informações incompletas, estes tiveram assim que ser removidos do mapa.

Aqui cada turno, que representa um dia inteiro de raides, começa com o jogador alemão a fazer todo o planeamento de raides para o dia tal como no RAF: Eagle. o jogador Inglês pode ir tomar um café e voltar enquanto o su adversário queima alguns fusiveis a tentar criar algumas armadilhas. Depois disto o jogador alemão indica nas três zonas de onde virão os ataques se existe actividade nalguma delas para a próxima hora. Com base nesta informação o jogador Inglês vai tomar a sua decisão de colocação de CAPs. A partir daqui resolvem-se os Raides planeados para a hora actual, decidindo o jogador Alemão a ordem pela qual os mesmos vão ser resolvidos. O jogador Inglês irá tentar para cada Raide obter a maior quantidade de informação possível, de forma a melhor decidir que esquadrilhas enviar para interceptar. Na altura do combate, este divide-se em duas partes em que na primeira o jogador Alemão tenta caçar as esquadrilhas Inglesas enviadas para o interceptar, e na segunda parte o jogador Inglês ataca os Gruppen de bombardeiros e caças de escolta, concluindo-se com o bombardeamento propriamente dito do Alvo pelos gruppen de bombardeiros que sobrarem do combate. Pelo meio disto tudo aparecem ainda eventos que escapam ao controlo dos jogadores, com o jogador Alemão a ter de obedecer às directivas do Alto Comando, ou o jogador Inglês a assistir impotente às ordens mal transmitidas que lhe mandam aterrar metade da força em CAP.

É um jogo fenomenal, que merece ser jogado. Apesar da sua duração que o levará a ser concluído em cerca de 12 a 16 horas, é daqueles jogos que mantém ambos os jogadores agarrados ao assento desde o inicio até ao fim. Quem quiser experimentar o melhor jogo existente sobre a Batalha de Inglaterra não pode deixar de passar esta oportunidade.

John H. Butterfield criou assim três jogos em que a versão de dois jogadores é quase a junção das duas versões solitário, bastando-lhe remover as componentes de solitário do RAF: Lion e do RAF: Eagle. Para quem se sentir fascinado ele postou ainda as regras que permitem que o sistema se jogue a si próprio, ou seja agarrou nas duas versões solitário e removeu-lhes os componentes do jogador, deixando ficar de ambas o componente solitário, criando assim o único wargame do mundo dos jogos de tabuleiro que joga contra ele próprio, com o jogador transformado num observador a ver tudo a funcionar por si só. Só para esquizofrénicos, e não, ainda não cheguei a esse ponto!! 🙂

Este artigo foi publicado originalmente no TuJogas

Caixa do jogo

4

Apresentação

4

Componentes

4

Grafismo

4

Tema

5

Objectivo

5

Livro de Regras

5

Preparação

4

Começar a jogar

3

Mecânica

5

Jogabilidade

4

Interacção

4

Estratégia

5

Dificuldade

5

Duração

2

Diversão

5

Originalidade

5

Preço

5

Valor vs Dinheiro

5

O meu Gut Feeling

5

Total

88

As restantes Sagas:

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