B-29B-29 Superfortress dos autores Shawn Rife e Steve Dixon, publicado em 2008 pela Khyber Pass Games, agarrou no conceito base do B-17 Queen of the Skies e transportou-o para o Teatro de Operações do Pacifico (PTO) e tendo como base o maior avião militar a operar durante a Segunda Grande Guerra Mundial (e que serviu activamente com as forças militares dos Estados Unidos até à Guerra da Coreia, apesar de só ter sido retirado do arsenal militar nos finais dos anos 60). Ficou mundialmente conhecido até hoje como sendo o modelo que largou as duas bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki que precipitaram a rendição incondicional do Japão e o fim da 2ª Grande Guerra Mundial.

Sendo também um jogo desenhado para ser jogado em modo solitário é considerado por muitos um mero re-desenho do B-17, mas o B-29 em termos de jogabilidade consegue elevar a fasquia de frustração do jogador a novos níveis. A grande diferença consiste mesmo na forma como os autores reflectem no jogo as características do maior bombardeiro Aliado em acção durante a WWII.

O B-29 foi desenhado pela Boeing, com uma envergadura de asas de 43 metros, e uma velocidade máxima de 574 km/h. Um dos primeiros testes em 1943 acabou com a morte de todos os tripulantes, quando o protótipo se despenhou. Tudo isto devido à grande pressão para ter o avião no activo ainda em 1944, fazendo com que os modelos que saiam das fábricas, tivessem que passar por outras unidades que os equipavam com instrumentações mais recentes, alteravam especificações à última hora, fazendo com que durante o primeiro ano de serviço o B-29 tivesse um registo de manutenções demoradas, missões abortadas, e problemas mecânicos e técnicos que na maioria das vezes só se revelavam durante as missões.

TripulaçãoDai que o jogo B-29 dá grande enfâse a todos os aspectos técnicos de uma missão de bombardeamento a bordo de um destes aviões, tendo como objectivo cumprir 35 missões antes de podermos regressar a casa. Seguindo uma estrutura de rondas similar à do B-17, uma missão no B-29 segue estes passos:

– Briefing da missão – onde se define qual o alvo, se vamos levantar e/ou aterrar de noite ou de dia, qual a tripulação que temos e onde é que cada um vai estar colocado a bordo

– Levantar voo – exacto!! Só esta pequena actividade é um passo à parte dentro de uma missão, uma vez que a quantidade de problemas que podiam ocorrer logo naquele momento era tão grande, os autores acharam por bem ter este passo separado do resto da missão, e podemos nem sequer levantar voo, ou mesmo descobrir logo no momento em que se levantam as rodas da pista que um problema mecânico se revela e nos faz abortar a missão

 – A partir daqui seguem-se o avançar de zona em zona até alcançar o alvo e o regresso. Cada vez que se entra numa zona têm de se verificar as mais diversas funcionalidades da nossa aeronave, como sejam a pressurização e o gasto de combustivel (sendo que no regresso graças ao efeito das Correntes de Jacto – Jet Stream – o nosso avião irá gastar por norma metade do combustivel que na viagem de ida, importante conceito a ter em conta em determinadas missões). Por cada zona é preciso ainda verificar o estado do Tempo, se a nossa navegação está correcta ou não (recorrendo aos instrumentos ou fazendo de navegadores medievais, socorrendo-nos das estrelas). Em cada Zona que se percorre existe ainda a possibilidade (1 em 36) de alguma avaria ocorrer a bordo do nosso B-29.  Nas zonas que sobrevioam território ocupado pelo Império do Japão é necessário verificar se irão aparecer caças – que dada a altitude a que um B-29 voa, e a pouca eficácia de alerta da aviação japonesa, aliada à sua ainda nascente tecnologia de radar, faz com que sejam esporádicos, mas que quando acontecem podem ter efeitos devastadores.
Zona a ZonaQuando se alcança a zona a bombardear um procedimento em separado leva-nos a atravessar a parede de artilharia anti-aérea, sempre com aquele apertar na boca do estômago, tal a nossa impotência a saber quando é que aparecerá a tal munição com o nosso nome inscrito, até ao largar das bombas e o dar a volta para iniciar a viagem de regresso.

– Aterrar – é o último passo da missão que decorrerá com maior ou menor dificuldade dependendo das condições em que esteja o nosso bombardeiro. Segue-se o cálculo da pontuação da missão e o contar da mesma para o número de missões necessárias para o nosso Tour of Duty.

No geral o jogo compre na perfeição o que se compromete a fazer: simular as missões dos tripulantes a bordo de um B-29. No entanto fica-nos o gosto na boca que tanta tecnalidade faz com que não se tenha o mesmo gosto que jogar o B-17, sendo as comparações impossíveis de não se fazerem. Se olharmos para o B-29 isolado é excelente, pois basta lermos alguns dos relatórios das tripulações destes aviões para verificarmos o quanto o jogo consegue ser fiel às dificuldades, retratando-as muitas das vezes com um pormenor microscópico. A outra face da moeda é que  passa muita coisa sobre a qual não temos controlo (um dos exemplos é que a partir da 10ª missão as metralhadores da retaguarda passam a ser substituídas por cabos de vassoura de forma a poupar uns quilos – isto porque se chegou à conclusão que nenhum avião japonês era capaz de atacar um B-29 pela retaguarda devido à altitude a que este voava, dai serem consideradas desnecessárias). Quando comparado com o B-17, ao qual faltam muitas das minuciosas veracidades técnicas com que este nos apresenta, este jogo é claramente inferior. No final à que escolher: um jogo que simula uma realidade histórica ao ínfimo pormenor, basta escolher este jogo. Caso pretendam um jogo que dá mais luta, que mais vezes nos dá oportunidades de lutar contra o sistema, à custa da abstracção de muitos dos detalhes, então iremos ter muito mais gozo com o B-17.

O B-29 tem como o B-17 um conjunto leal de fãs que organizam esquadrões para missões em conjunto, podendo em qualquer altura juntar-mo-nos a essas missões. Um dos pontos altos destas missões em conjunto é o irmos lendo os Relatórios de Acção de cada avião conforme regressa de uma missão e o dar asas à imaginação que cada jogador faz nesta parte de quase Roleplay.

O que se ganha em qualquer um destes jogos é o conhecer com mais pormenor  uma parte do que foram as campanhas aéreas Aliadas, e a saga que era para as tripulações destas aeronaves fazerem o seu Tour of Duty, e poderem finalmente regressar a casa. Nestes jogos sentimo-nos muitas vezes impotentes, mas é preciso lembrar que mais do que um wargame se trata de um simulador, que consegue sem recurso a um écran, e a uma máquina, transmitir-nos com umas quantas folhas de papel, umas tabelas e uns quantos dados, estando ao alcance mesmo de quem não tem destreza no teclado, de nos fazer sentir “lá”, naquele momento e local, de bradarmos aos céus quando um dos nossos tripulantes é morto, e de suspirarmos de alivio quando aterramos após uma missão.

Este artigo foi publicado originalmente no TuJogas

Caixa do jogo

3

Apresentação

3

Componentes

3

Grafismo

3

Tema

3

Objectivo

3

Livro de Regras

2

Preparação

3

Começar a jogar

2

Mecânica

3

Jogabilidade

2

Interacção

1

Estratégia

2

Dificuldade

2

Duração

1

Diversão

3

Originalidade

4

Preço

3

Valor vs Dinheiro

3

O meu Gut Feeling

3

Total

52

As restantes Sagas:

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