B-17 Queen of the SkiesB-17: Queen of the Skies” por Bruce Shelley e Glen Frank, editado pela Avalon Hill, em 1983, é um jogo de estratégia desenhado para ser primáriamente em jogo solitário, que trata das campanhas de bombardeamento aliadas efectuadas pelos Americanos, sobre a Europa ocupado pela Alemanha Nazi, entre Outubro de 1942 e Maio de 1943.
Neste jogo o jogador controla a tripulação de um bombardeiro B-17F Flying Fortress (Fortaleza Voadora), e tenta efectuar 25 missões de bombardeamento enquanto tenta sobreviver aos ataques de caças Alemães, e largar a sua carga de bombas no alvo designado, podendo jogar em parceria com vários jogadorees, em que cada um voa o seu bombardeiro numa missão conjunta, existindo diversos sites na Internet que se encarregam de coordenar estes jogos comuns, tendo inclusivé no BGG recentemente começado uma campanha no forum do B-17. Para um jogo com 29 anos, desenhado para ser jogado em solitário, a vitalidade que o mesmo ainda tem, e pode-se verificar isso pela quantidade e preço do mesmo na eBay, atesta bem do seu sucesso ainda hoje.

Assim que se abre a caixa deparamo-nos com a parafernália de um jogo tipico do inicio dos anos 80:
– Um tabuleiro montado para marcar o movimento estratégico
– Um tabuleiro montado onde se vai colocar a tripulação a bordo do B-17, e onde se vai passar a maioria da acção
– 5 Folhas cartonadas de tabelas diversas
– 88 Counters/Marcadores
– 16 Marcadores grandes (quase cartas) de caças Alemães
– um bloco de folhas de missão (é necessária uma folha para cada missão, mas fácilmente se arranja na net PDF’s com cópias destas folhas, algumas até bem melhoradas)
– 2 Dados
– Um livro de regras

Nas primeiras 10 missões, o comando vai-nos dar missões relativamente fáceis, no sentido em que serão missões que nos irão levar a alvos na orla da Europa ocupada, como sejam os estaleiros navais e docas de submarinos em França e Holanda, e só depois começam as verdadeiras missões com alvos tão longiquos quanto o coração industrial do Alemanha, na zona do Rhur, ou mesmo Berlim, até que se consiga completar as 25 missões que nos permitirão retornar aos Estados Unidos cobertos em glória.

Cada missão é composta de diversas partes:
Briefing da missão – em que nos é indicado o alvo para a missão de hoje, expectativas de resistência, cobertura de caças, previsão atmosférica, novos tripulantes que venham substituir tripulantes retirados na missão anterior, qual a posição que vamos ter dentro da formação de bombardeiros (cruzando os dedos para não sermos nem o último nem o primeiro da formação, posições que são sempre as primeiras a serem alvo de ataques de caças inimigos).
Ronda – O centro de cada missão são as rondas sucessivas que seguem a missãoonde estão integrado o nosso B-17, conforme vai-se aproximando do alvo, com uma ronda especial para a ronda de bombardeamento própriamente dita, e o regresso a Inglaterra. No inicio de cada ronda avançamos uma zona para mais perto do alvo (quando em aproximação) ou para mais perto de Inglaterra (quando de regresso). É neste momento que têm de se tomar várias decisões, como sejam o abandonar a formação devido a danos recidos na zona anterior, como sejam as falhas no aquecimento que podem fazer com que zonas do avião fiquem sem aquecimento provocando feridas por excesso de frio no tripulante dessa secção, ou até porque seja necessário tentar apagar o incêndio num dos motores, operaçãoque pode ser tentada com uma descida a pique (mas que não se garante que seja sempre funcional). Outra das decisões que se tomam no inicio da ronda é se se alteram as posições dos tripulantes (se por exemplo o artilheiro traseiro foi ferido ou morto pode-se lá colocar um outro tripulante para manejar essa metrelhadora). Se estivermos suficientemente perto de Inglaterra pode ser que os nossos pequenos amigos (caças aliados) estejam pela zona e nos possam dar cobertura aérea. Pimp up my rideDepois disto tudo é verificar o nível de actividade de caças inimigos para a zona que estamos a atravessar, se os nossos caças (quando  os temos) os conseguem afastar, quantos e de que direcções é que investem contra a nosssa aeronave. Baseados nesta informação assim se apontam as metrelhadoras que poderão melhor tentar abater o adversário, e como cada metrelhadora consegue cobrir vários angulos, é possivel que um caça que se aproxime por um lado seja alvo de vários dos nossos tiros defensivos. A partir deste momento as nossas decisões estão tomadas e é observar com ansiedade o que nos vai acontecer: se conseguimos acertar nos caças inimigos, se estes nos acertam, onde e com que efeitos.
A parte da verificação dos efeitos dos danos que o nosso B-17 sofre é uma das partes mais tensas do jogo simplesmente porque não temos nenhum controle sobre a mesma. É como estar dentro de um desastre de carro e naqueles últimos 0,1 segundos vemos tudo a passar em camera lenta, e parece-nos que o tempo de desforma e que passam 5 minutos, conforme vamos recebendo os relatórios, que a asa esquerda foi atingida sem danos de maior, que o artilheiro direito foi atingido, que a porta do porão das bombas ficou encravado, que surgiu um incêndio no compartimento do navegador, e que o operador de rádio que opera a metrelhadora da torre superior conseguiu abater um caça, entre os gritos de jubilo do resto da tripulação, e as nossas emoções vão entrar nesta montanha russa que nos vai acertar sem  aviso prévio na boca do estomâgo ou nos fazer sorrir de alivio quando tudo passa e verificamos que estamos todos inteiros. Quando isto tudo acaba é tempo de avaliar os estragos decidir se ainda estamos em condições de continuar e avançar para a próxima ronda.
Assim que estivermos sobre o alvo estamos outra vez à mercê dos acontecimentos que não controlamos enquanto tentamos manter o B-17 num voo que permita ao operador das bombas de as lançar sobre o alvo ao mesmo tempo que temos de atravessar a tempestade de  tiros de anti-aérea sempre com aquele medo que tentamos colocar na parte de trás dos nossos pensamentos que é a possibilidade de termos um terrivel BIP (*). Depois de atravessar a  zona de defesas antiáereas é altura de largarmos as bombas no alvo que percentualmente irão acertar mais ou menos no mesmo, dependendo de diversos factores, como sejam a estabilidade do bombardeiro, a capacidade do navegador de identificar o alvo correctamente, etc.
Assim que se largam as bombas é tempo de regressar a Inglaterra, com ronda após ronda que nos aproxima da segurança, sempre na esperança que esta seja mais uma missão a riscar das 25 que temos de fazer. Pelo caminho poderemos ser obrigados a aterrar no Canal da Mancha por falta de combustivel, largar tudo quanto seja material pesado (as nossaS metrelhadoras por exemplo) porque já só estamos a voar com 2 motores, ou tentar uma aterragem de emergência em território ocupado, e mesmo quando regressamos a Inglaterra ainda temos de ver se aterramos em segurança (talvez o nosso trem de aterragem não possa ser baixado e temos o artilheiro da torre inferioir preso lá dentro), e temos de tomar aquela decisão terrivel, ou o piloto foi atingido e é o navegador que tem de aterrar oB-17, etc etc.
Relatório final – após o fim da missão, em que ficamos a saber se o avião se encontra em condições de voar na próxima missão ou se vai ser substituido, o que aconteceu aos tripulantes que tenham sido atingidos, se morreram ou se foram feitos prisioneiros (caso o B-17 tenha sido abatido sobre território ocupado) e se a resistência os conseguiu fazer regressar a Inglaterra (muitas vezes via Espanha e Portugal), ou se passam o resto da Guerra num Campo de Prisioneiros, etc.

Há muitos jogadores que consideram que o número de decisões durante o jogo são minimas, mas acho que estes falham completamente em perceber o sentido do jogo, que pretende ser uma simulação, e como tal está fenomenal: a maioria do tempo não temos controlo sobre o nosso destino, se um caça Alemão nos atinge com uma rajada, não há nada que se possa fazer, a não ser assistir impotentes ao que nos acontece, e é aqui que o jogo é excelente pois consegue-nos fazer sentir essa frustração, e o alivio depois de levarmos com três vagas de caças de seguida, ficarmos a saber que apenas ficámos com uns quantos buracos extra de ventilação na fuselagem, mas que ninguém nem nenhum equipamento foram atingidos, enquanto que noutra vez ao sermos atingidos por um tiro isolado, este mata o piloto faz ricochete, atinge o rádio, e acaba alojando-se no ombro do artilheiro direito que escorrega e faz cair uma caixa de munições em que uma cai no porão das bombas e encrava o mecanismo de abertura.

Porque é que é assim? Porque é que numa missão tudo nos corre bem e nada nos acontece e noutras voltamos tipo queijo suiço com mais de metade da tripulação morta ou ferida? É uma forma ligeira de espreitarmos e podermos começar a tentar compreender aquilo a que muitos combatentes regressados de uma guerra experimentam: porque é que eu me safei e não o outro? Eu chamo a isto ter tema e vive-lo durante o jogo, YMMV!

O B-17 Queen of the Skies, teve logo desde o inicio um tal sucesso que a Avalon Hill, na sua revista The General, lançou várias variantes, que nos permitem voar bomardeiros ingleses Lencastre e Halifax, em missões anteriores à entrada dos americanos na guerra, ou outros B-17 que não os utilizados no jogo base (a B-17F). Outra variante aumenta a quantidade de alvos possiveis de serem bombardeados. Existem ainda a possibilidade de enfrentar outros caças Alemães, inclusivé estendendo a campanha de bombardeamento até 1945 e enfrentar os primeiros caças a jacto Alemães. Uma das variantes mais populares é a que nos coloca ao serviço da 15ªForça Área Americana estacionada em Itália a partir de 1943, e as suas missões que levam os bombardeiros a atravessar os Alpes e a atacar alvos na Áustria e Checoslováquia.

Manuel Pombeiro
aka  Firepigeon
LUDO  ERGO  SUM
(*) BIP – Burst-In-Plane – rebentamento dentro do avião – a artilharia anti-aérea (FLAK) à data limitava-se a disparar projecteis que rebentavam mais ou menos à altitude a que os bombardeiros estavam a passar no momento, na esperança que os estilhaços desse rebentamento fossem atingir os bombardeiros a passar – dai que o pior que podia acontecer a um bombardeiro era ter o azar gigantesco que um desses projecteis e rebentasse exactamente dentro do avião (ou seja o projectil estava preparado para rebentar àquela altitude, mesmo no instante em que estava um bombardeiro naquela posição), normalmente com consequencias catastróficas para o mesmo.

Este artigo foi publicado originalmente no TuJogas

Caixa do jogo

4

Apresentação

3

Componentes

3

Grafismo

3

Tema

4

Objectivo

4

Livro de Regras

3

Preparação

3

Começar a jogar

2

Mecânica

4

Jogabilidade

3

Interacção

1

Estratégia

2

Dificuldade

3

Duração

2

Diversão

5

Originalidade

5

Preço

4

Valor vs Dinheiro

5

O meu Gut Feeling

4

Total

67

As restantes Sagas:

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