Ele há cenas neste hobby que me chateiam terrivelmente e passam normalmente pela forma como as pessoas olham para determinadas mecânicas ou componentes e as classificam automaticamente como minorantes dos jogos. Ou seja sempre que aparece um jogo com uma destas mecânicas ou um destes componentes, o jogo é automaticamente rotulado de lixo. Mas não é só isso. É também as atitudes que se vêm muitas vezes à volta de uma mesa de jogo, por forma a demonstrar os intelectos superiores, os ditos iluminados.

Dados e a sua correspondente aleatoriedade – UI!!! É logo o primeiro da lista pois é aquele que mais está associado a estas atitudes. Basta um jogo ter dados nos seus componentes para existir pessoal que se recusa a joga-los. Normalmente a desculpa esfarrapada é: eu não tenho sorte aos dados, ou: a pessoa Z vai jogar e esse tipo nem precisa saber jogar para ganhar, uma vez que os dados fazem tudo o que ele quer!!! Fenomenal!! Um jogo tem de ser um exercício matemático e previsível senão não é jogo. Coloque-se uma pontinha de imprevisibilidade e fogem que nem ratos a abandonar um navio, recusando-se a aceitar que simplesmente não sabem lidar com situações imprevistas, e adaptarem-se às alterações fora dos seus planos.

Miniaturas e componentes de plástico – nem sei como é que é defensável a atitude de que se um jogo tem miniaturas ou componentes de plástico então automaticamente o jogo é rotulado de menor ou menos interessante. Felizmente que as editoras de jogos começam a ter dinheiro para deixarem de incluir lenha nos jogos e apostarem em componentes à séria.

Choramingas – Yap!! Aquele jogador que nem ainda o jogo saiu da caixa e já se está a chorar que os outros se vão coligar contra ele, e que todas as jogadas são para o lixar!! Chiça!! E se perder? É de certeza porque os outros não sabem jogar e porque só tiveram sorte durante o jogo todo. Esta é daquelas coisas que me irritam solenemente.

Ah e tal…isto é mais que um jogo, é um exercício de inteligência superior – mas será que não percebem que se não é um jogo, imediatamente não pertence a este hobby? Se um jogo é um esforço para o jogar e não traz divertimento, então não é um jogo, e para isso basta o trabalho para por melões na mesa. Isto não põe melões na mesa, logo não vale a pena o trabalho que dá!

Se está ao alcance das massas é porque é mau – Arre!!! Aqui à uns anos atrás o Settlers of Catan era considerado dos melhores jogos modernos, mas com os seus mais de 15 anos e já muito ao alcance das massas, é agora relegado para segundo plano, como se tivesse passado a cheirar mal. Como este, existem outros que o intelecto superior desdenha só porque o filho do vizinho da mulher da limpeza até o já pode ter jogado. É o gosto por pertencer a uma minoria, de dizer mal só porque todos os outros comuns mortais gostam.

Tem expansões – Sim e depois? Qual é problema com isso? Se as mesmas trazem consigo maior re-jogabilidade, se trazem mais opções e não se limitam a ser correcções ao jogo-base, qual é o mal com isso? Só porque tem expansões, o jogo é logo rotulado de mau? Porque carga de água? Muitos ficam sem conhecer um jogo (e as suas expansões) só por causa desta atitude.

Tem demasiado tema – Porreiro, joguem abstractos, já que não conseguem ver para lá do design gráfico, apresentação e componentes do jogo, ou seja tudo aquilo que visualmente atrai o comum dos mortais (ahh é verdade quem diz isto não encaixa nesta categoria de comum mortal!! São os iluminados!!). Aliás, acho que mais do que o jogo do galo (mau exemplo, este tem tema no titulo, eu sei! :P) qualquer jogo tem tema. More power to you!!

Demora muito tempo – Mas divertiram-se a joga-lo ou não? É ou não é isso que interessa? Afinal mede-se a participação neste hobby numa noitada que só é boa caso se joguem 10 jogos em 6 horas, ou se apenas se jogar um jogo nessas mesmas 6 horas? Afinal quem se diverte mais?

Estou mais de 5 minutos à espera que seja o meu turno outra vez – Opah!!! Vão jogar matrecos se não querem downtime!! Por norma é o tipo que não consegue ir imaginando que jogada vai fazer enquanto os outros estão a fazer os seus turnos, naahh, é demasiada confusão pensar e ver os outros a jogar ao mesmo. Acho que precisam de um upgrade ao processador.

Tem demasiadas pecinhas – É ver o pessoal a fugir dos jogos com mais de uma dúzia de peças, como se estas tivessem a peste. Parece-me mais um problema de pouca capacidade de processamento e de memória do que outra coisa qualquer. Como no anterior, acho que precisam de um upgrade, mas desta vez geral.

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Cada um tem as suas queixas, estas são algumas das minhas, mas fica tudo esquecido quando a companhia e o jogo são bons, e nos estejamos todos a divertir, que é o que procuro em qualquer bom jogo de tabuleiro.

Este artigo foi publicado originalmente no AbreOJogo

 



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